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Teatro de Admiração

por Bárbara Heliodora

Adaptar para o teatro uma obra literária de narrativa tradicional já é uma tarefa muito difícil; o que dizer então, do trabalho de Dib Carneiro Neto para conter em termos de dramaturgia os problemas ou a angústia que Lúcio Cardoso apresentou em “Crônica da casa assassinada”, com uma escritura experimental que mescla vários gêneros? Temos, no entanto, de encarar a peça de mesmo título pelo que ela veio a ser: uma obra contida em si, que traz compactadas, em um texto que dura pouco mais de uma hora, as alucinantes cargas de mistério e fantasia, e, principalmente de um dúbio prazer pago com toda a carga de culpa e de pecado que são parte essencial da cultura de Minas Gerais. 


Mineiridade em cena

Na verdade, os primeiros minutos, com pequenas unidades de ação ou diálogo que já falam da desagregação da família que habita o casarão, são um pouco difíceis de compreender plenamente, mas logo adiante os pedaços da casa estraçalhada vão se somando uns aos outros, construindo a história de vício e maldade que é detonada pela volta de Nina àquele universo familiar torturado e perdido. Quando o espetáculo termina, só resta a admiração pelo que foi realizado, como ação e como linguagem, dando força excepcional ao núcleo central, o fatal amor que se pensa incestuoso.

A encenação de Gabriel Villela, cuja mineiridade o leva a conhecer o mais profundo dos mistérios de sua terra, tem toda a beleza que caracteriza seus trabalhos. A belíssima cenografia de Márcio Vinicius deve ter tido base na visão diretorial do texto, e os figurinos do próprio Gabriel povoam o palco com figuras de um ritual, no qual os homens pecam de cartola e são símbolos da funcionalidade de cada personagem. A luz de Domingos Quintiliano, assim como a sonoplastia de Gabriel, reforçam o clima do ritual, mas correspondem também à implacável realidade dos que assassinam a casa, como a si mesmos, pela podridão.

O elenco é formado por Cacá Toledo, Flávio Tolezani, Helio Souto Jr., Leticia Teixeira, Marco Furlan, Maria do Carmo Soares, Pedro Henrique Moutinho, Rogério Romera, Sergio Rufino e Xuxa Lopes. Criando um vasto número de personagens, algumas atuações podem destacar-se um pouco no espetáculo, mas é o conjunto que expressa a essência da “Crônica da casa assassinada” e da criativa visão que tem dela o diretor. O teatro aqui cumpre bem, mesmo que dolorosamente, a tarefa de nos fazer conhecer um pouco melhor o potencial humano, seja para o bem, seja para o mal.



Escrito por Cacá Toledo às 13h50
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